domingo, 14 de outubro de 2007

SEM DONO




SEM DONO




Hoje ela me ligou e me tirou o sono. É muito difícil dormir, quando uma mulher linda te liga dizendo que quer transar com você, nem que seja por telepatia ou em sonho.

E fica ainda mais difícil dormir, quando você sabe que ela está cheia de sensualidade e sem dono.

E não pensem que eu gostaria de ser o dono dela. Pelo contrário. Se assim o fosse, acho que teria ciúmes de mim mesmo. Seria como ter que conviver vinte e quatro horas por dia com um odiado rival. Acho que, se eu fosse dono dela, eu me dividiria em dois. Um seria eu mesmo. Outro seria o dono dela. E os dois não se dariam bem. Viveriam às turras. Detesto qualquer um que se arvore a ser dono dela. Inclusive, eu mesmo.

Ah, e como me excita sabê-la sem dono! Sem dono ela fica mais bonita, mais amor, mais sexo. Livre, ela fica mais mulher. Sem dono, ela, leonina, vira uma leoa e eu, virginiano, torno-me um (re) desvirginador voraz. Sem dono, a alma dela me seduz de uma forma sexualizada e eu fico imaginando, enlouquecido, como seria se eu pudesse penetrar sua alma, como faço em seu corpo. Seria divino, se eu pudesse gozar em sua alma, encharcando-a com espermas espirituais. Que loucura! Mas, é assim que eu fico: louco, quando ela está sem dono.

Exorcizo meus pensamentos malucos. Esqueço da fantasia sobre a alma e lembro-me do corpo dela. Queria tê-lo agora. Mas, às vezes, as coisas não podem ser como eu quero. É muito tarde para atravessar a cidade. Melhor conformar-me em ficar na imaginação, lembrando-me do corpo dela, agora sem dono, como eu gosto, e, de preferência, nu. Imagino-a nua e isso me excita. Mas, fico só na excitação. Não ousaria traí-la. Nem com a minha própria mão. Não agora, que ela já não tem mais dono.

Parece loucura, mas é assim que a desejo. Sem dono. E, por mais que possa parecer contraditório e incompreensível (ela, tenho certeza, compreende), só assim consigo ser dela plenamente. A verdade é que, agora, ela me possui. E, sem dono, ela é plenamente minha dona. Senhora de mim, ela reina absoluta em todas as posições possíveis e imagináveis, proprietária exclusiva do meu pênis, da minha língua, das minhas mãos, de todo o meu corpo e, até, da minha alma.

Porque é assim que a amo. Sem dono.

É assim que eu gosto de ser dela...


Luiz Lyrio

Texto publicado em "Estalo, a Revista,vol.4 e gravado no CD OISE (selo aNomelivros),na voz do autor.

3 comentários:

Marco Aurélio disse...

Luiz, meu lírico amigo.
Erotismo puro, sem posse direta. Deve ser por isso que Einstein disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento (no sentido bíblico). Parabéns. Uma paixão adolescente, no bom sentido, com muita pureza ,muito idealismo e muita tesão. Abração.

Masé Soares disse...

Tá aí.... gostei!
Muito lindo, e destas coisas eu entendo rssss
"paixão sem dono"...coisas assim...
Parabéns pelo blog.
Qualquer dia te mando algo tá prá postar aqui.
Bitokas
Masé
Goiânia/Go

Solua disse...

Adoro este jeito sutil e velado de escrever. Um toque além do corpo, nos vales e montanhas da alma onde esta energia santa e profana existe em profusão... Luiz Lyrio se expressa muito bem nesta linguagem